24 de abril de 2018

[RESENHA] Outros jeitos de usar a boca - Rupi Kaur

'outros jeitos de usar a boca' é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.
Poesia Contemporânea | 208 Páginas | Rupi Kaur | Cortesia Planeta de Livros | Skoob | Classificação: 5/5  

Fazia muito tempo que eu não pegava em um livro de poesias. Antes, eu costumava ler muito esse tipo de narrativa, mas depois de um tempo, acabei deixando de lado. Agora, me apaixonei novamente depois de ler este livro. A primeira vez que vi o livro, acabei não sentindo vontade de ler. Mas, conforme eu via todos os comentários positivos sobre a obra, e o quanto o livro era muito bom, eu sabia que tinha que lê-lo. Assim que li o primeiro poema, assim que li a primeira parte do livro – ele é dividido em partes –, soube o porquê desse livro ter se tornado um grande sucesso. Rupi Kaur colocou em palavras a maioria dos problemas e dificuldades que a população feminina precisa enfrentar. 'Outros Jeitos de Usar a Boca' tem uma narrativa real e reflexiva, algo que eu AMO ver em livro. Cada poema foi lido com o coração aberto, alguns com lágrimas nos olhos. Cada um que li tem sua beleza, sua verdade. O resultado disso foi que eu me apaixonei pela obra e pela forma como a autora expõe seus sentimentos e a forma como ela escreve. 

fique firme enquanto dói
faça flores com a dor

você me ajudou

a fazer flores com a minha
então floresça de um jeito lindo perigoso
escandaloso floresça suave
do jeito que você preferir
apenas floresça.”


Para quem não conhece/conhecia (assim como eu) a autora, ela compartilhava seus poemas nas suas redes sociais. Inicialmente, ela postava sobre seu dia a dia, depois disso, começou a receber também relatos de seus leitores. Cada poema fala sobre experiências reais, vividas por diversas pessoas. Temas que podem ser considerados tabus, e que a maioria não comenta e não quer falar.

Nós menstruamos e eles veem como sujeira. como forma de chamar a atenção. doente. um fardo. como se esse processo fosse menos natural que respirar. como se não houvesse uma ponte entre este universo e o anterior. como se esse processo não fosse amor. trabalho. vida. altruísta e impressionantemente belo.”


Como eu mencionei no início, a autora dividiu o livro em quatro partes: dor, amor, ruptura e cura. Cada um dos poemas descreve um desses temas. Temos histórias sobre recomeços, amor, perda, estupro, traição e muito mais. O livro é emocionante em seu todo, mas cada bloco tem uma carga a mais. O primeiro fala mais sobre relacionamentos familiares; no segundo, sobre desejos, amor; no terceiro, sobre traições, mentiras, términos; e por último, sobre recomeços, sobre cura. Como se trata de um livro de poemas, ele pode ser lido bem rápido, mas ainda sim, com muita calma, apreciando cada momento, cada poema. -Outros Jeitos de Usar a Boca' traz uma mensagem importante sobre a opressão que as mulheres sofrem, sobre as nossas escolhas e sobre nos aceitar pelo que somos.  

É claro que você não precisa ser mulher para ler este livro. Mesmo que ele seja voltado para o público feminino e escrito por uma mulher, qualquer um pode lê-lo. Basta abrir seu coração, sua mente e se deixar levar pela maravilhosa narrativa dessa obra. 







23 de abril de 2018

4 livros que se passam na faculdade



Depois de anos dentro de uma escola, chegou a hora de ter outros tipos de responsabilidades. Chegou a hora de enfrentar o cansaço de ir para a faculdade direto do trabalho; de muitas vezes, pegar o trem cheio, o ônibus lotado e chegar à faculdade com vontade de voltar para casa. A faculdade é o começo do nosso futuro. O lugar onde “aprenderemos” sobre a nossa futura carreira. A faculdade, assim como a escola, não é um lugar fácil, mas sempre gostamos de ler sobre esse período nos livros. Todo o dilema de conseguir se formar, o surgimento de um novo amor – muitas vezes em meio a vários problemas –, a dúvida se a escolha do curso foi mesmo a certa e, em alguns casos, o preconceito pelo curso não ser destinado a um determinado sexo. Seja qual for o dilema enfrentados pelos jovens, eu adoro ler e me divertir com esse tipo de leitura. Pensando nisso, eu resolvi fazer essa lista com quatro livros que se passam na faculdade



Boa Noite, Pam Gonçalves

"Boa Noite" conta a história da jovem Alina. Recém formada no colégio, ela está à procura de mudanças, principalmente sobre o status de jovem nerd. Por isso, ela sai de sua cidade para cursar Engenharia da Computação. O começo de aula para Alina não será nada fácil. Isso porque, ela e mais três garotas são as únicas mulheres na sala de aula. E é claro que isso gerará muitos preconceitos por grande parte dos homens e até de alguns professores. Mas ela está ali para mostrar do que é capaz e nada, nem ninguém determinará o que ela pode ou não fazer, nem o seu potencial. Nesse livro, Pam Gonçalves soube colocar no papel uma grande parte dos preconceitos que a maioria das mulheres enfrenta. Por isso, eu adorei esse livro.




O Acordo, Elle Kennedy

Hanna e Garrett não são amigos. Hanna sabe quem é Garret, na verdade, todos sabem que ele é. Como um dos melhores jogadores de hóquei, Garrett é conhecido por todos e desejados por boa parte das mulheres da faculdade. Quando Garrett leva bomba em um teste, ele recorre à garota que ele nunca falou, e nem sabe o nome: Hanna. Garrett sabe que não poderá jogar se não recuperar a nota na matéria. O problema é que Hanna não aceitará dar aulas particulares para Garrett tão facilmente. Mas como Garrett é uma pessoa muito persistente, ele consegue convencer Hanna; ele propõe um acordo com ela: se ela der aulas para ele, Garrett a ajudará a chamar a atenção do cara por quem Hanna tem uma queda. Porém, como nada acontece como planejamos, esse acordo fará surgir entre eles uma atração que eles não conseguem explicar ou fugir. 



O Erro, Elle Kennedy

No primeiro livro conhecemos Logan, melhor amigo de Garrett (protagonista de O Acordo) e um dos melhores jogadores de hóquei. O cara é lindo, um sedutor nato e um grande pegador. O problema é que Logan acredita estar apaixonado pela namorada de seu melhor amigo. Para tentar esquecer Hanna, ele passa a pegar todas e viver de forma mais intensa. Em mais uma noite de festas, ele conhece Grace. A jovem – assim como outras na faculdade – sente uma pontada de desejo por Logan. No caso de Grace, ela sabe que nunca haveria nada entre eles: para começar, ela não é de frequentar as mesmas festas que Logan, sem contar que, ela não é uma pessoa que aproveita muito a vida.  Grace é uma garota muito tímida e quando, de repente, Logan aparece por engano no seu quarto, ela aproveita a chance para conhecer o cara e a chance de viver um pouco mais.




Os 12 signos de Valentina, Ray Tavares

No livro conhecemos a estudante Isadora. A mulher não consegue esquecer seu ex-namorado e nem o que ele fez a ela. O namorado que ela amava a atraiu com uma das suas melhores amigas. Se isso não fosse o bastante, Isadora ainda precisa ver a nova namorada de seu ex todos os dias, já que a mesma estuda na mesma sala que ela. Tentando tirar a prima dentro de casa, Marina leva Isadora para sair. No lugar, em um momento bem constrangedor, Isa descobre que seu namoro com Lucas nunca daria certo: eles são de signos opostos. A partir desse momento, Isadora passa a ficar obcecada pelo assunto e decide que realizará uma experiência: como precisa criar um projeto online para uma matéria na faculdade, ela juntará o útil ao agradável. É nesse momento que nasce o blog “Os 12 Signos de Valentina”. Nele, Isadora contará suas experiências com os homens de cada signo do zodíaco.



Esses são apenas alguns livros que tem uma narrativa que se passa na faculdade. Espero que vocês tenham gostado. Mais algum que vocês me indicariam? 


Fotos:
- Livros: “Boa Noite”, por Guria Lit | O Acordo, por Seja Cult | O Erro, por Prateleira de Cima



21 de abril de 2018

[RESENHA] A Guerra Que Salvou a Minha Vida - Kimberly Brubaker Bradley


Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando.
Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor.
Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa.
Essa é uma das belas surpresas do livro: mostrar a guerra pelos olhos de uma menina, e não pelo ponto de vista de um soldado, que enfrenta a fome e a necessidade de abandonar seu lar. Assim como a protagonista, milhares de crianças precisaram deixar a família em Londres na esperança de escapar dos horrores dos bombardeios.
Vencedor do Newbery Honor Award, primeiro lugar na lista do New York Times e adotado em diversas escolas nos Estados Unidos.
Infanto Juvenil | 240 Páginas | Kimberly Brubaker Bradley | Duologia A guerra que salvou a minha vida #1 | Editora DarkSide Books | Skoob | Classificação: 5/5


“Existe guerra de tudo quanto é tipo.”

Vocês não imaginam a vontade que eu estava de ler esse livro. A começar pela capa linda e pelo designer do livro, e depois de tantas resenhas sobre ele, sobre o quanto ele era bom, o quanto a narrativa era intensa e maravilhosa, eu me senti forçada a lê-lo. Assim que comprei o livro e o recebi em casa, não perdi tempo e já iniciei a leitura. Pela sinopse da obra vocês já tem uma base do que se trata a historia do livro, e já tem uma ideia que será uma ótima leitura. A Guerra que Salvou a Minha Vida é um livro narrado de forma emocionante por uma criança. Esse tipo de narrador é sempre algo que gosto em livros. Esse tipo de narrativa sempre é feita de forma muito verdadeira. Parece que as descrições que elas fazem são mais reais. Por esse motivo, esse livro foi uma das melhores leituras que fiz recentemente. Desde a primeira página o leitor encontra um livro carregado de dor e sofrimento. As personalidades dos personagens, principalmente de Ada e seu irmão Jamie, me encantaram desde o início. 

“Você é perfeitamente capaz de aprender. Não dê ouvidos a quem não conhece você. Escute o que sabe. Escute a si mesma.”


Conhecemos Ada e Jamie, duas crianças que vivem com a mãe em Londres, um lugar que está perto de ser um campo de guerra. Há muito tempo Ada vive confinada dentro da própria casa, sem poder sair, sem poder ser vista. Isso porque a mãe não quer que ninguém a veja e perceba a “deformidade” que Ada possui. A garota nasceu com o pé torto, e sua mãe considera isso algo nojento. Ada é obrigada a cozinhar para a mãe, limpar a casa, cuidar do irmão – que ela ama mais que tudo. Se isso não bastasse, sempre que a mãe a considera uma menina má e desobediente, ela precisa ficar trancada dentro de um armário cheio de baratas.  Ada nunca soube o que era um lar de verdade, um família amorosa, e pessoas que se importam com ela e que a amam. E, quando a ameaça de uma guerra faz com que as crianças precisem deixar suas casas para viver com outras famílias, Ada vê a chance de ser livre. Sem o conhecimento da mãe, Ada foge com seu irmão para o interior. No entanto, quando chegam, nenhuma família tem o desejo de abrigar os irmãos. Cabe a uma jovem solteira cuidar delas até que a guerra termine. É na fazenda de Susan que Ada encontra algo que nunca teve: amor fraternal. É nesse lugar que ela passa a ter tudo que nunca teve antes, que passa a conhecer sobre coisas que nunca imaginou existir. É ao lado de Susan e Jamie que Ada encontra amor, paz, liberdade e família.

“Era como se eu tivesse nascido ali na vila. Como se tivesse nascido com os dois pés bons. Como se fosse realmente importante e amada.”


Assim que li a primeira linha do livro, a primeira descrição e os primeiros sentimentos da protagonista, eu morri de amores por ele. É difícil ler tudo o que a menina precisa enfrentar: o descaso, a falta de amor e de carinho por parte da mãe. Fica difícil não querer abraçar a garotinha, consolá-la quando a mãe a agride: seja com palavras, ou de forma física. Sentimos pela dor dela, pelo sofrimento de não ser igual às outras crianças, o medo e a desconfiança, ainda mais quando alguém age de forma carinhosa e preocupada com ela. É lindo ver a forma como ela se preocupa com seu irmão, a forma como ela o protege, o defende. Ada é inteligente, mesmo que sempre tenha ouvido o contrário da mãe. Todos os maus-tratos que recebeu na mão da mulher deixaram marcas profundas na garota. Ela sempre teme o pior, ela tem certeza que nada dará certo para ela, que ela e o irmão serão abandonados, que serão mandados de volta para casa.

“Burra. Retardada. Educável. Zelosa. Eram só palavras. Eu estava tão cansada de palavras sem sentido." 


Ada nos emociona com suas palavras, mas também nos encantamos com seu irmão. Mesmo tendo uma vida difícil, Jamie sente falta da mãe. Ele que nunca sofreu tudo o que a irmã enfrentou, ainda deseja ser levado para casa e estar ao lado da mãe. Junto com ele, também conhecemos uma mulher incrível, que mesmo não sabendo como criar duas crianças, os aceitaram e fez de tudo para dar amor, segurança, uma vida confortável e uma família a eles. Ela passou a lutar pelas crianças com unhas e dentes. Susan ainda precisa enfrentar a depressão e a perda de sua melhor amiga. Ela, quando recebeu as crianças em sua casa, não sabia que eles seriam a cura que ela tanto buscava. Não foi somente ela que os salvaram quando aceitou cuidar deles, mas eles também a salvaram de uma vida solitária. Cada personagem traz algo de bom para a narrativa, fazendo com que o livro seja ainda melhor.

“Sua coragem, sua disposição e sua determinação levarão você a sua vitória, minha querida.”


A Guerra que Salvou a Minha Vida foi tudo aquilo que eu imaginei que seria: uma leitura emocionante, reflexiva, sincera e impactante. Um livro que, mesmo sendo voltado mais para o público infantil, pode e deve ser lido por pessoas de todas as idades. Agora estou ansiosa pela leitura do segundo livro (que já tenho em casa). Espero poder continuar me emocionando com a escrita da autora e com a vida desses personagens que me conquistaram.  






20 de abril de 2018

[RESENHA] Uma Proposta e Nada Mais - Mary Balogh


Primeiro livro da série Clube dos Sobreviventes, Uma Proposta e Nada Mais é uma história intensa e cativante sobre segundas chances e sobre a perseverança do amor.
Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela.
Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa.
Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.
Romance de Época | 272 Páginas | Mary Balogh | Série Clube dos Sobreviventes #1 | Cortesia Editora Arqueiro | Skoob | Classificação: 4/5


A Editora Arqueiro alegra minha vida com cada lançamento deles. Todos os meses eu fico ansiosa esperando o próximo romance de época que fará meu amor por esse gênero crescer ainda mais. Agora, a nova série da editora é o "Clube dos Sobreviventes". Sendo este o primeiro livro, que contará a história de um sobrevivente de guerra, que precisou da ajuda de outros para poder superar as lembranças da guerra, dos homens que perdeu. Ele e mais alguns compartilharam experiências que tiveram e a dor.
 


Hugo é um homem que costuma intimidar as pessoas, ainda mais pelo seu tamanho e quantidade de músculos. Nascido numa família de classe média, ele nunca teve uma vida cheia de luxos. Mas como seu pai adquiriu uma grande fortuna com os negócios, agora, Hugo é herdeiro de tudo, algo que ele nunca quis. Hugo não tem muita simpatia pela nobreza, os achando pessoas esnobes.  Depois de servir ao país, lutando em batalhas - e na última -, a que o lhe deu o título de herói, Hugo voltou para casa com profundas cicatrizes. Mas não cicatrizes visíveis. Hugo sofre por ter sobrevivido, enquanto os homens que comandou em uma missão suicida acabaram mortos. Para se curar, ele foi levado a um lugar para se recuperar na companhia de outros que, assim como ele, sofria de alguma maneira. Agora, todos os anos, ele volta ao lugar para reencontrar seus companheiros. É durante essa vigem que ele conhece Gwen. Com a morte de seu pai, Hugo precisou assumir as responsabilidades dos negócios e do lar, principalmente com sua madrasta e meia-irmã. Para isso, ele precisará se casar. No entanto, ele não sabe como fazer isso, ele não sabe como encontrar uma esposa.

- A senhora não é, de forma alguma, o tipo de mulher que busco para ser minhas esposa - disse ele. - Eu faço parte de um universo muito diferente do marido que espera encontrar. Mesmo assim, sinto um poderoso desejo de beijá-la. 



Gwen é uma jovem viúva que nunca pensou em se casar novamente. Tendo sofrido durante o casamento, ela agora quer paz e tranquilidade. Mas depois de sete anos sozinha, ela começa a sentir uma solidão que antes não existia. Gwen é dona de uma grande beleza, gentil, sempre com um sorriso no rosto.  Quando recebe uma carta de uma amiga pedindo que ela a visite, Gwen não sabia que conheceria um homem que mudaria sua vida. Após uma discussão com a amiga, Gwen resolve sair para dar uma volta. É, então, que ela se depara com Hugo. À primeira vista, Gwen se sente intimidada pelo seu salvador, mas depois de um tempo, ela passa a se acostumar com o jeito rabugento do homem. É depois desse encontro que começa um jogo de sedução, muita teimosia e momentos apaixonantes entre o casal. 

Hugo possui uma personalidade forte, ele não mede as palavras, sempre dizendo o que pensa, sem se importar com a opinião dos outros. Quando conhece Gwen, ele pensa que ela é mais uma lady esnobe, parte da nobreza que ele tanto despreza. Como ele não nasceu nesse meio, ele não tem nenhum amor por eles. Ele sabe que não se encaixaria, que não seria bem recebido, que seria visto com maus olhos por todos. Hugo é um homem determinado, marrento e grosseirão. Mas também é uma pessoa forte, que ama sua família, que se preocupa muito com os outros; encantei-me por cada parte do personagem. Já Gwen é uma mulher que quer viver uma vida tranquila, deseja um relacionamento seguro e estável. Ela deseja uma família, mas teme que nãos seja capaz de ter uma. Ela é uma mulher que depois de anos, passou a se redescobrir. Junto, ela e Hugo são perfeitos, um casal que passa a aprender um com outro. Eles amadurecem juntos e passam a descobrir mais sobre si mesmos.

- Todos nós precisamos ser amados, Gwendoline, de uma forma plena e incondicional. Mesmo quando carregamos o fardo da culpa e acreditamos não merecer amor. A verdade é que ninguém merece. Não sou religioso, mas acredito que é disso que tratam as religiões. Ninguém merece, mas ao mesmo tempo, todos nós somos dignos de amor. 



Diferente dos outros livros desse gênero, o casal não são pessoas jovens, que ainda não conhecem o amor, e que passam a descobrir sobre ele e sobre as coisas da vida. Aqui, é um casal maduro, com experiências diversas, com uma bagagem a mais. Eles sabem o que querem, eles se entregam ao desejo, a paixão sem reservas ou medo. Outra coisa diferente é que somente um deles veio de uma família rica. Ao contrário da maioria dos livros que os dois protagonistas são da nobreza, aqui um deles veio de uma família de trabalhadores, de pessoas que possuem seu próprio negócio e vive dele.  

Este é o meu primeiro contato com a escrita da Mary Balogh, mas já digo que eu amei demais. A autora soube construir uma narrativa maravilhosa e envolvente, personagens cativantes, que nos fazem torcer por eles. "Uma proposta e nada mais" foi uma leitura agradável, que me rendeu momentos muito divertidos. Adoro livros que falam sobre recomeços, sobre se perdoar, sobre se entregar a um amor real e arrebatador. Agora estou aguardando o próximo livro, que tenho certeza que será tão bom quanto este. 
 

19 de abril de 2018

[RESENHA] A Coroa da vingança - Colleen Houck


Em A Coroa da Vingança, terceira e última aventura da série Deuses do Egito, Colleen Houck nos presenteia com um desfecho tão surpreendente e inspirador quanto o elaborado universo mitológico que criou.Meses após sua pacata vida como herdeira milionária sofrer uma reviravolta e ela embarcar numa vertiginosa jornada pelo Egito, Liliana Young está praticamente de volta à estaca zero.Suas lembranças das aventuras egípcias e, especialmente, de Amon, o príncipe do sol, foram apagadas, e só resta a Lily atribuir os vestígios de estranhos acontecimentos a um sonho exótico. A não ser por um detalhe: duas estranhas vozes em sua mente, que pertencem a uma leoa e uma fada, a convencem de que ela não é mais a mesma e que seu corpo está se preparando para se transformar em outro ser.Enquanto tenta dar sentido a tudo isso, Lily descobre que as forças do mal almejam destruir muito mais que sua sanidade mental – o que está em jogo é o futuro da humanidade.Seth, o obscuro deus do caos, está prestes a se libertar da prisão onde se encontra confinado há milhares de anos, decidido a destruir o mundo e todos os deuses. Para enfrentá-lo de uma vez por todas, Lily se une a Amon e seus dois irmãos nesta terceira e última aventura da série Deuses do Egito.
Jovem Adulto | 416 Páginas | Colleen Houck | Série Deuses do Egito #3 | Cortesia Editora Arqueiro | Skoob Classificação: 4/5


Finalmente chegamos ao final da série Deuses do Egito. Depois de um final surpreendente e, também, de momentos de pura irritação, nos despedimos de Lily e Amon. O que eu preciso dizer antes de começar essa resenha é que: eu adorei o primeiro livro, adorei toda a trama e as histórias que a autora trouxe. O problema aqui, com este volume, foi que ele me irritou demais; e eu vou explicar o porquê.

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A saga acompanha a vida da jovem Liliana Young, uma garota normal com muitos problemas com os pais, que viu sua vida mudar quando conheceu Amon, uma múmia do Metropolitan Museum of Art em Nova York. Depois disso ela o acompanha em uma jornada para encontrar os dois irmãos de Amon e impedir que o poderoso deus Seth dominasse o mundo. Isso é um pouco do que acontece no primeiro livro. No segundo, Lily precisa, novamente, partir em uma aventura para resgatar Amon de um lugar terrível. Para isso, ela precisa enfrentar alguns desafios ao longo da jornada. Para conseguir resgatar seu amado, Lily precisava se tornar uma esfinge, isso sem contar que ela agora dividi o corpo com mais duas pessoas: Tia, uma leoa com um temperamento muito forte; e Ashleigh, uma fada. Neste volume, Lily não se lembra de nada do que fez, das pessoas que conheceu e nem de seu amor por Amon. Ela inda pensa que é uma jovem normal com um futuro a decidir. Mas quando o Dr. Hassam chega à fazenda da avó de Lily pedindo que ela se lembre de tudo, e que o futuro do mundo depende dela, ela precisará da ajuda das vozes em sua cabeça, de sua avó e de todos os deuses.  Mesmo sem lembrar, Lily parte mais uma vez em uma jornada para salvar o mundo. Para isso ela precisa encontrar Amon e seus irmãos, para juntos derrotar Seth de uma vez por todas.



O Despertar do Príncipe” foi o livro que mais gostei da série. Eu sempre gostei muito da parte mitológica do livro, e fiquei encantada com a narrativa. Já “O Coração da Esfinge” eu acabei não gostando tanto assim. Se no primeiro livro a autora focou mais no lado da luta entre os deuses, em desenvolver e nos apresentar a parte da mitologia egípcia; no segundo ela deixou isso um pouco de lado para focar mais no romance. Não me entendam mal, eu adoro um bom romance, mas não quando envolve mais de duas pessoas; eu simplesmente não suporto um triângulo amoroso. Pior, acho que um triângulo não é bem a palavra que eu descreveria o relacionamento de Lily com os irmãos de Amon. Isso acabou diminuindo meu entusiasmo com a série. Esperei que no terceiro livro isso acabasse, mas que nada... só piorou.

A história continua muito interessante, com todos os elementos já apresentados no primeiro livro, e com a chegada dos outros deuses e da deusa Wasret. Colleen Houck conseguiu apresentar muito bem todos os elementos e os personagens. Todas essas partes foram muito boas de ler. No entanto, lá vem a autora com o triângulo (mais que um triângulo. Hexágono? Não sei!) amoroso. Como Lily dividi o corpo com mais duas almas, cada uma se apaixona por um irmão diferente. Sim, isso mesmo! E cada vez que uma dessas almas assume o comando do corpo de Lily, ela tem um momento romântico com seu par. Isso foi irritante! Eu só conseguia imaginar a Lily ali, com um cara que não era o Amon. Outra coisa que me incomodou foi que, durante a amnesia de Lily, ela acabou se envolvendo com um dos irmãos de Amon. Ou seja, ela ficou mais chata por conta dessa amnesiam e ainda ficou uma boa parte questionando seu amor pelo filho do Egito.



Eu também achei que a autora arrastou muito a narrativa. Acho que ela poderia ter tirado algumas partes, principalmente as cenas que eu achei bem irritante. Minha vontade era de pular as partes do triângulo e ir direto para a luta. O melhor foi que o final compensou tudo. Isso melhorou um pouco as coisas. O tão aguardado enfrentamento entre os filhos do Egito, os deuses e Seth foi algo que gostei muito. Gostaria muito que a autora tivesse se estendido um pouco mais nessa luta, que para mim, foi um dos pontos mais altos do livro. 

Em geral, eu adorei a narrativa. Colleen Houck conseguiu me manter entretida na história. Ela manteve a fluidez da narrativa. Em muitos momentos eu ansiava pela guerra, em ver os deuses se enfrentando, e saber como tudo terminaria. Pensando bem agora, vou ficar com saudades - principalmente do meu querido Amon. Então, se você é fã da Colleen Houck E GOSTA DE TRIÂNGULOS AMOROSOS (isso é importante) não deixe e ler A Coroa da Vingança.









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