30 de março de 2017

[RESENHA] Fahrenheit 451 - Ray Bradbury


Imagine uma época em que os livros configurem uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são proibidos. Para exterminá-los, basta chamar os bombeiros - profissionais que outrora se dedicavam à extinção de incêndios, mas que agora são os responsáveis pela manutenção da ordem, queimando publicações e impedindo que o conhecimento se dissemine como praga. Para coroar a alienação em que vive essa nova sociedade, as casas são dotadas de televisores que ocupam paredes inteiras de cômodos, e exibem "famílias" com as quais se pode dialogar, como se estas fossem de fatos reais.
Este é o cenário em que vive Guy Montag, bombeiro que atravessa séria crise ideológica. Sua esposa passa o dia entretida com seus "parentes televisivos", enquanto ele trabalha arduamente. Sua vida vazia é transformada quando ele conhece a vizinha Clarisse, uma adolescente que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo. O sumiço misterioso de Clarisse leva Montag a se rebelar contra a política estabelecida, e ele passa a esconder livros em sua própria casa. Denunciado por sua ousadia, é obrigado a mudar de tática e a buscar aliados na luta pela preservação do pensamento e da memória.
Um clássico de Ray Bradbury, "Fahrenheit 451" é não só uma crítica à repressão política mas também à superficialidade da era da imagem, sintomática do século XX e que ainda parece não esmorecer.

Distopia | 215 Páginas | Editora Biblioteca Azul | Skoob | Compre:  Submarino  •  Lojas Americanas  •  Livraria Cultura | Classificação: 5/5 

“Lembre-se, os bombeiros raramente são necessários. O próprio público deixou de ler por decisão própria.”

Imagine uma sociedade, onde a função dos bombeiros - que antes era apagar incêndios -, agora fosse atear fogo. Porém, atear fogo em um objeto específico: os livros. No mundo criado por Ray Bradbury, possuir livros é considerado crime. Quem tem um objeto desses em casa é denunciado e seus livros são queimados, sua biblioteca é queimada. Você, leitor pode pensar que trata-se de um livro futurista, que o cenário é bem diferente do que estamos vivendo, mas prestando muita atenção ao que o autor descreve, você percebe que não estamos falando de um futuro tão distante assim. Nesse mundo, as casas são a prova de fogo, as pessoas vivem isoladas, alienadas, não interagem mais, não conversam mais; as horas dos dias são passadas assistindo novelas, e na companhia das "famílias".  

"Um livro é uma arma carregada na casa vizinha"

 É nesse universo que conhecemos Guy Montag, um bombeiro. Ele, assim como seus colegas de trabalho, acredita na função que exerce. Para eles, os livros devem ser queimados; já que eles perturbam a felicidade e o pensamento. Mas, depois de tantos livros queimados, tantas experiências que teve nas casas denunciadas, Guy passa a questionar o que há de tão especial em um livro, porquê as pessoas são fascinadas por eles; qual o motivo que leva uma pessoa a infringir a lei só para ter um objeto desses em casa, qual o prazer em ter um livro. Todas essa dúvidas surgem em sua mente depois que o bombeiro conhece uma adolescente, sua vizinha, Clarisse. Uma tarde, voltando do trabalho, ele conhece essa menina diferente, que começa a conversar com ele, a lhe fazer perguntas, o que deixa Guy perdido e ao mesmo tempo  fascinado.

“— O que está havendo? — Montag raramente via uma casa tão iluminada. — Ah, minha mãe, meu pai e meu tio estão conversando. É como andar a pé, só que bem mais gostoso. Meu tio foi preso uma outra vez, eu lhe contei? Por andar a pé. Ah, nós somos diferentes mesmo. — Mas sobre o que vocês conversam?”

Depois de mais uma denuncia, Guy vai para atear fogo em todos os livros de uma senhora, chegando lá, a senhora não quer sair da casa e abandonar seus livro.  Guy não consegue compreender porquê uma pessoa faria isso. Por que uma pessoa perderia sua vida por um simples livro? A curiosidade de Guy é atiçada, fazendo com que ele roube um livro e o leve para casa.

— Ninguém mais presta atenção. Não posso falar com as paredes porque elas estão gritando para mim. Não posso falar com minha mulher; ela escuta as paredes. Eu só quero alguém para ouvir o que tenho a dizer. (...)

O livro é dividido em três partes, apresentando personagens fantásticos e muito interessantes. Um dos mais enigmáticos é o chefe dos bombeiros. Lendo, você percebe que ele sente prazer com o que faz, mas em contrapartida, ele é capaz de citar trechos de vários livros, de autores famosos; ele cita Shakespeare! Publicada em 1953, a história de Ray Bradbury parece não ser diferente do que estamos vivendo hoje. O autor faz uma clara crítica a alienação das pessoas, a censura, aos meios de comunicação em massa, aos espetáculos produzidos para entreter, mas que acaba prendendo a pessoa à uma tela. As pessoas que com o avanço da tecnologia, não sobrevivem mais sem os seus  Smartphones; que vivem presos a esse objeto, deixando de viver momento importantes. Usando uma frase usado pelo personagem no livro: "Fazia muito tempo que ele não olhava para o céu." Quanto tempo faz que as pessoas não olham, não enxergam o mundo com os próprios olhos?

“— A escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas, e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é o que conta, o prazer está por toda a parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?”

Obs: Essa edição, conta com um prefácio incrível que precisa ser lido antes de iniciar a leitura do livro. Vou deixar um pequeno trecho do prefácio para vocês:

"Pois enquanto Huxley e Orwell escreveram seus livros sob o impacto dos regimes totalitários (nazismo e stalinismo), Bradbury percebe o nascimento de uma forma mais sutil de totalitarismo: a indústria cultural, a sociedade de consumo e seu corolário ético - a moral do senso comum."






18 comentários:

  1. Que livro interessante e diferente, imagino que ele seja cheio de belas reflexões sobre a importancia dos livros em nossas vidas e nosso conhecimento. Amei muito e a capa é maravilhosa também! Suas fotos ficaram lindas <3

    MEMÓRIAS DE UMA LEITORA

    ResponderExcluir
  2. Oiii Dani,tudo bem?
    Esse é um dos livros que tenho imensa curiosidade em ter a oportunidade de conhecer, sua resenha ficou bem atraente e mostrando os pontos positivos do enredo, dica muito mais que anotada!
    Beijinhos

    ResponderExcluir
  3. Oi!
    Só tinha visto a capa desse livro no Skoob, mas nem me interessei pela leitura. Agora, lendo sua resenha, percebi que se trata de um livro diferente, reflexivo também. Gostei de saber o que você achou da obra e os pontos positivos que assinalou. Espero poder fazer a leitura em breve.

    Beijos

    ResponderExcluir
  4. Manoo, que historia, e que resenha, vc me fez mais do que nunca querer ler esse livro, achei o conteúdo dele muito chamativo e vou procurar saber mais de!

    http://infinitoparticulardoslivros.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  5. ‘Imagine uma sociedade, onde a função dos bombeiros - que antes era apagar incêndios -, agora fosse atear fogo. Porém, atear fogo em um objeto específico: os livros.’ Alemanha Nazista e logo estaremos assim, visto a força que o neonazismo vem criando na amarica do Sul.
    ‘Nesse mundo, as casas são a prova de fogo, as pessoas vivem isoladas, alienadas, não interagem mais, não conversam mais; as horas dos dias são passadas assistindo novelas, e na companhia das "famílias".’ Você deu a definição da sociedade Líquida, é bem real. Só me lembra a alienação da Rede Globo e afins.
    Acho a ideia desse livro fantástica, quero muito ter a oportunidade de ler.

    ResponderExcluir
  6. Oi, Dani!
    Somente pelo primeiro quote que você selecionou, eu já coloquei esse livro na minha wish list.
    Admirável Mundo Novo e 1984 são dois dos livros que mais amei na vida e certamente essa distopia está totalmente relacionado.
    Beijos!
    Gatita&Cia.

    ResponderExcluir
  7. OOoi, tudo bem?
    uaaaau que resenha maravilhosa, só me deu mais vontade de ler!
    amei sua resenha!
    beijoos

    ResponderExcluir
  8. Oi,

    Nunca tinha visto nada a respeito desse livro, mas depois de ler sua resenha fiquei interessada.
    Como assim possuir livro é crime 😲

    ResponderExcluir
  9. Eu achei esse livro bem interessante. É a minha primeira resenha dele e eu realmente fiquei com vontade de colocar ele na estante, mesmo não sendo muito bem o meu tipo de livro.

    http://laoliphant.com.br/

    ResponderExcluir
  10. Nossa, me lembrou o Nazismo, onde livros eram queimados. Bem interessante a história, leria fácil, com certeza!

    ResponderExcluir
  11. Oie
    Engraçado como as pessoas tem visões e opiniões diferentes sobre a mesma coisa.
    Já tinha ouvido falar desse livro e a pessoa não gostou nada dele. Aí, venho aqui e encontro seus comentários bem desenvolvidos acerca da obra.Uma história fantástica e que pelo jeito vai me prender do início ate o final. Conclusão: agora fiquei com vontade de ler... rsrsr
    Já coloquei na lista de leitura.
    Parabéns pela resenha.
    Bjo

    ResponderExcluir
  12. Olá!
    Interessante... Estarei eu infligindo a lei por manter uma plantação de livros dentro de minha casa? kkkk
    Me fez lembrar a grande queima de livros pelos nazistas em 1933, tema que inspirou o livro "A Menina que Roubava Livros".
    Fiquei curiosa por esta obra que acabas de resenhar. Anotado a dica!
    Nizete
    Cia do Leitor

    ResponderExcluir
  13. Oi!!
    Esse livro tem uma trama bem diferente e muito interessante, eu tenho muita vontade de conferir a leitura por inteiro.
    Um livro que deveria ser indica sempre por tratar sobre a quentão da leitura, hoje em dia muitas pessoas não leem e a alienação ao que acontece no mundo é total.
    Adorei a tua resenha.
    Beijão!

    ResponderExcluir
  14. Olá,
    Como assim os livros perturbam a felicidade e o pensamento???? Fiquei boquiaberta quando li isso e discordo totalmente rsrs para mim meus lindos livros são minha felicidade e eu não serviria para viver em uma realidade dessas não!!
    A premissa é bem interessante e anotei a dica de leitura!

    LEITURA DESCONTROLADA

    ResponderExcluir
  15. Oie
    tenho uma amiga que sempre me indica mas vejo que é uma leitura mais complexa diferente do que to acostumada então dou uma enrolada haha mas quem sabe eu arrisque em algum momento, parabéns pela resenha

    beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  16. Esse é definitivamente o livro da minha vida. Usei ele como fonte bibliográfica para um artigo científico sobre a indústria cultural. Eu acho Bradbury um gênio! Eu amo essa edição, mas ainda não tenho ela, tenho uma mais simpleszinha mesmo, mas ainda compro essa pq essa capa é linda demais!!! Bjs Jo Scarreiro

    ResponderExcluir
  17. Gente, lendo sua resenha eu vejo que hoje em dia também é assim, lógico que não tem pessoas entrando e queimando seus livros, (deus me livre) mas muitos não sabem o porque a leitura é importante, ou porque os livros tem tanto valor para alguns. Acho que essa é uma ótima leitura, adorei sua resenha

    ResponderExcluir
  18. Parabéns pela resenha! Eu já havia assistido ao filme "Fahrenheit 451, mas a obra ainda não li. Assim como você detalhou magicamente a história é instigante, pois mostra o poder que ser letrado e a literatura pode provocar na sociedade.
    Ronald, do entrelinhas e afins.

    ResponderExcluir

Gostou do post? Então deixe seu comentário. Mas lembre-se, não serão aceitos comentários que contenham qualquer tipo de preconceito ou palavras de baixo calão, respeite os demais leitores.

Obrigada por comentar e volte sempre!!

© 2017 x Design e Código: Sanyt Design x Livros e Café • voltar ao topo