7 de março de 2018

[RESENHA] Os Dois Mundos de Astrid Jones - A.S. King


“O movimento é impossível.” É o que Astrid Jones, 17 anos, aprendeu na sua aula de filosofia. E, vivendo na pequena cidade em que mora, ela começa a acreditar que isso é mesmo verdade. São sempre as mesmas pessoas, as mesmas fofocas, a mesma visão de mundo limitada, como se estivessem todos presos em uma caverna, nunca enxergando nada além.
Nesse ambiente, ela não tem com quem desabafar suas angústias, e por isso deita-se em seu jardim, olha os aviões no céu, e expõe suas dúvidas mais secretas aos passageiros, já que eles nunca irão julgá-la. Em seu conflito solitário, ela se vê dividida entre dois mundos: um em que é livre para ser quem é de verdade e dar vazão ao que vai em seu íntimo, e outro em que precisa se enquadrar desconfortavelmente em convenções sociais.
Em um retrato original de uma garota que luta para se libertar de definições ultrapassadas, este livro leva os leitores a questionarem tudo e oferece esperança para aqueles que nunca deixarão de buscar o significado do amor verdadeiro.
Jovem Adulto | 288 Páginas | A.S. King | Editora Gutenberg | Skoob | Classificação: 4/5 | Leia uma amostra da obra


Astrid Jones é uma adolescente como outra qualquer: estuda, é a editora da revista da escola, possui melhores amigos, tem um trabalho aos fins de semana, e também uma namorada. Este último sendo algo escondido de seus pais e também de seus amigos. Astrid vive em uma cidade onde todos têm algo a dizer; onde a grande maioria são preconceituosos e exigem a perfeição. Este é um grande problema para a garota: ela não é perfeita. Seus pais estão longe de serem o casal mais feliz do mundo; sua mãe as vezes finge que ela não existe, seu pai vive ausente, mesmo que esteja presente no mesmo ambiente, e sua irmã está longe de ser sua amiga. Os amigos de Astrid escondem de todos um segredo, o qual somente ela tem conhecimento. Além de tudo isso, Astrid ainda precisa enfrentar o fato dela estar apaixonada pela sua colega de trabalho, e não saber como dizer a seus amigos sobre Dee; nem conseguir se assumir perante todos.

Eu pergunto a elas: tudo bem mentir para poder ser feliz?”

Quando ela começa a visitar um bar gay, ela consegue se soltar mais e aproveitar mais a vida. Mas quando ela e seus amigos são descobertos, a vida da garota vira um inferno. Ela começa a escutar piadas nos corredores da escola, comentários maldosos sobre ela e seus amigos; além de seus pais que insistem que ela se assuma. Tudo munda na vida de Astrid, até mesmo seu namoro com Dee.

O que importa é sairmos daqui inteiros. O que importa é encontrar a verdade sobre nossas próprias vidas, não se importar sobre o que as pessoas pensam que é a verdade sobre nós.”

Narrado em primeira pessoa, Os dois mundos de Astrid Jones aponta para o fato de muitos jovens não conseguirem se expressar, não conseguirem conversar com seus pais; não saber como fazer isso. Muitas das vezes eles não enxergam uma forma de se abrirem. Alguns podem pensar que não serão ouvidos, que seus problemas serão considerados bobos. Quantos jovens sentem medo, ainda mais quando chega aquela fase dos descobrimentos. Muitos adolescentes nessa idade não sabem se serão aceitos pelos pais, e isso faz com que eles se escondem e não conseguem encontrar alguém com quem se abrir sem ser rejeitado.

Eu não me importo e essas pessoas não me amam de volta. Isso não é para ser recíproco. É uma entrega. Porque se eu entregar tudo, então ninguém vai poder me controlar. Porque se eu entregar tudo, estarei livre.”

Uma das coisas mais importantes aqui é a A. S King levantar questões sobre amor, relacionamentos, aceitar e amar quem você é. Nunca tinha lido nada da autora, mas eu me apaixonei pela escrita dela. O livro possui uma narrativa tão leve, fácil, que não foi dificil me envolver com os personagens. Estes sendo encantadores. Astrid é uma garota tão fofa, que carrega seus medos e incertezas, mas que vai aprendendo. E é muio bom ver esse crescimento da personagem. Dee também foi uma personagem que gostei, apesar de algumas atitudes dela ao longo da narrativa terem me irritado um pouco. Outro ponto que amei nesse livro são as histórias paralelas de passageiros de aviões. Sempre que pode, Astrid manda seu amor a essas pessoas, que de certa forma, possuem algo em comum com a garota. Essas histórias deram um toque a mais na narrativa.

Eu sou igual a um piloto de avião e um mecânico. Eu sou igual a você. Você é igual a mim. Isso é universal. Exceto que não é.”

Em suma, Os dois mundos de Astrid Jones é fofo, mas isso não quer dizer que ele seja bobo ou que seja mais um livro para ser lido e esquecido. Não, a trama é envolvente e questionadora. Uma boa dica para quem adora um bom jovem adulto ou um livro que nos faça pensar.



 

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